Como precificar um serviço sem chutar: a conta que quase todo mundo pula
O cálculo que parte do custo real do seu mês, passa pelas horas que você consegue vender e só no fim olha para o preço do concorrente.

Quase todo prestador de serviço começa pelo lugar errado: olha quanto o concorrente cobra e chega ao próprio preço a partir dali.
O problema é que o concorrente pode estar errado. Ou ter uma estrutura de custo que não é a sua. Copiar o número dele é herdar o prejuízo dele.
A conta correta anda no sentido inverso. Ela começa dentro da sua operação e só encosta no mercado no último passo.
Some tudo o que sai da sua conta
Liste o custo mensal completo, sem separar o que é da empresa e o que é seu. Quem trabalha sozinho paga as duas contas com o mesmo dinheiro.
- Custos fixos: aluguel, internet, telefone, contador, assinaturas de software, transporte.
- Custos variáveis: material, deslocamento, terceirizações que só aparecem quando existe cliente.
- Pró-labore: quanto você precisa retirar por mês para viver. Não é lucro, é custo.
- Impostos: a alíquota do seu regime sobre o faturamento.
- Reserva: uma fatia para equipamento que quebra e mês fraco.
A soma de tudo isso é o piso. Faturar abaixo dele é operar no vermelho, mesmo com a agenda cheia.
Calcule quantas horas você consegue vender
Aqui está o erro que derruba a conta inteira. O mês tem cerca de 160 horas úteis, mas nenhum prestador vende as 160.
Some o tempo gasto com proposta, cobrança, e-mail, reunião que não vira nada, nota fiscal e prospecção. Sobra bem menos do que parece — na prática, quem trabalha sozinho costuma vender algo entre metade e dois terços do horário disponível.
Divida o custo mensal total pelas horas realmente vendáveis. O resultado é o custo da sua hora. Ainda não é o preço: é o valor abaixo do qual você paga para trabalhar.
Só então olhe para o concorrente
Aplique a margem de lucro sobre o custo da hora e você tem um preço de partida. Agora, sim, compare com o mercado.
A comparação serve para explicar diferenças, não para definir o número. Se o seu preço saiu bem acima da média, a pergunta é o que justifica: prazo, especialização, garantia, tamanho do risco que você assume.
Se saiu bem abaixo, a suspeita é de conta furada — quase sempre alguma despesa ficou de fora ou a estimativa de horas vendáveis está otimista.
Marque a data da próxima revisão
Preço de serviço envelhece em silêncio. O custo sobe mês a mês e a tabela continua a mesma do ano passado.
Coloque no calendário uma revisão a cada seis meses, com a planilha de custos aberta. Reajuste em cliente novo primeiro, e depois avise a carteira antiga com antecedência.
Quando foi a última vez que você refez essa conta?


