Votorantim troca o controle da Nexa por fatia na sueca Boliden
Holding brasileira converte seus 64,68% na Nexa Resources em cerca de 7% da mineradora europeia, com assento no conselho. Entenda a jogada.

A Votorantim S.A. anunciou nesta quinta-feira (27) uma das trocas de ativos mais engenhosas do ano no setor de mineração: a holding brasileira vai converter sua participação de 64,68% na Nexa Resources em uma fatia de cerca de 7% da sueca Boliden.
A relação de troca foi fixada em 0,25 ação da Boliden para cada ação da Nexa. Não há dinheiro trocando de mãos — é uma permuta de papéis que transforma a dona de uma mineradora latino-americana de zinco em sócia relevante de uma gigante europeia diversificada.
Entenda o que cada lado leva
A Nexa é a operação de mineração histórica do grupo Votorantim: cinco minas e três fundições espalhadas por Brasil e Peru, respondendo por cerca de 4% da produção mundial de zinco.
Com a troca, a Boliden absorve esses ativos e amplia sua presença nas Américas. Já a Votorantim:
- vira um dos principais acionistas da sueca, ao lado de gigantes da gestão de recursos como BlackRock (6,1%) e Vanguard (4,4%);
- garante assento no conselho de administração da Boliden;
- troca a concentração em zinco latino-americano por um portfólio europeu diversificado, que inclui cobre e níquel.
A conclusão do negócio está prevista para o primeiro trimestre de 2027, ainda sujeita à aprovação de acionistas e de órgãos reguladores.
Veja a lógica por trás da jogada
A Votorantim vem executando há anos uma estratégia declarada de gestão ativa de portfólio: sair de posições de controle concentradas e pulverizar o capital em participações relevantes em empresas globais.
No caso da mineração, a troca resolve dois problemas de uma vez. A holding deixa de carregar sozinha o risco operacional de minas na América Latina — greves, licenças, preço do zinco — e passa a surfar um portfólio maior, com escala global, sem abrir mão de influência na mesa do conselho.
Para o mercado brasileiro, é um sinal dos tempos: mais um grupo nacional preferindo ser sócio minoritário de um líder global a controlador de um player regional.
Repare no que ainda precisa acontecer
Até a conclusão, prevista para o início de 2027, o negócio passa por assembleia de acionistas e pelo crivo de reguladores de mais de um país. Operações desse porte costumam atravessar esse caminho sem sustos, mas o cronograma pode se esticar.
As informações desta matéria foram apuradas até a noite desta quinta-feira (27), com base em Seu Dinheiro e NeoFeed.
Na sua leitura, vale mais mandar sozinho em um negócio regional ou dividir o comando de um gigante global?


