Jusbrasil compra a MinutaIA e mira R$ 1 bilhão em receita recorrente
Legaltech baiana adquire startup mineira de documentos jurídicos por IA, fundada há pouco mais de um ano e já com 50 mil clientes pagantes.

O Jusbrasil, maior plataforma de tecnologia jurídica do país, anunciou nesta quinta-feira (27) a aquisição da MinutaIA, startup especializada em elaborar documentos jurídicos complexos com inteligência artificial. O valor do negócio não foi divulgado.
A compra chama a atenção pela velocidade da adquirida: fundada em 2025, em Belo Horizonte, a MinutaIA chegou ao anúncio com mais de 50 mil clientes pagantes e 180 contratos com instituições — um crescimento raro até para os padrões do setor de IA.
Veja o tamanho da operação combinada
Juntas, as duas empresas se aproximam de R$ 1 bilhão em receita anual recorrente, sendo 85% vinda de produtos nativos de inteligência artificial, segundo números divulgados no anúncio.
O Jusbrasil, fundado em 2008 na Bahia, soma 3 milhões de assinantes anuais, entre cidadãos que buscam informação jurídica, profissionais do direito e instituições públicas e privadas. Desde o fim de 2022, a companhia se reposicionou como uma empresa de IA aplicada ao direito.
“A MinutaIA é talvez o case de maior sucesso do país entre empresas nativas em IA para o direito, com soluções valiosas para os profissionais”, afirmou Rafael Costa, CEO do Jusbrasil, no comunicado.
Entenda como fica a operação
Nada de fusão de marcas: as duas operações seguem independentes, com produtos, contratos e roteiros de desenvolvimento separados.
Caio Perona, CEO da MinutaIA, continua no comando da startup e se torna acionista do Jusbrasil — o formato clássico para manter o fundador motivado depois da venda.
A lógica da combinação é de complemento: o Jusbrasil domina a camada de pesquisa — jurisprudência, processos, doutrina —, enquanto a MinutaIA domina a camada de produção, gerando petições e documentos. Pesquisar e redigir são as duas metades do trabalho jurídico.
Repare no que isso diz sobre o mercado
A aquisição confirma a tese de que o direito virou um dos territórios mais quentes da IA no Brasil. Escritórios e departamentos jurídicos adotaram as ferramentas em ritmo acelerado, e o mercado começou a se consolidar: quem tem escala compra quem tem produto.
Não por acaso, na mesma semana, o mercado jurídico viu outra movimentação de peso, com a incorporação do Opice Blum pelo Cescon Barrieu — sinal de que a agenda de tecnologia está redesenhando o setor por todos os lados.
As informações desta matéria foram apuradas até a noite desta quinta-feira (27), com base em Consultor Jurídico (ConJur) e Startups.com.br.
Se uma IA já escreve a petição e outra acha a jurisprudência, o que sobra de trabalho manual no direito daqui a cinco anos?


