Braskem entra com recuperação extrajudicial para reestruturar US$ 10,9 bilhões
Petroquímica protocolou o pedido na Justiça de São Paulo e ganha 90 dias de proteção contra execuções. Veja o que está em jogo.

A Braskem, maior petroquímica da América Latina, protocolou um pedido de recuperação extrajudicial na Justiça de São Paulo. A decisão foi tomada pela diretoria na segunda-feira (24) e comunicada oficialmente ao mercado.
O objetivo é reestruturar cerca de US$ 10,9 bilhões em obrigações financeiras sem garantia — uma das maiores reestruturações de dívida corporativa da história do país.
Entenda o que é a recuperação extrajudicial
A recuperação extrajudicial é diferente da recuperação judicial tradicional, como a que o Habib’s pediu nesta mesma semana.
Nela, a empresa negocia o plano diretamente com os credores antes de ir ao tribunal — e só protocola o pedido quando já tem adesão suficiente. A Justiça entra para homologar o acordo e estendê-lo aos demais credores da mesma classe.
A Braskem chegou ao protocolo com o apoio de credores que representam 39,6% dos créditos sujeitos à reestruturação, percentual que a lei exige para dar entrada no pedido.
Com o protocolo, a companhia ganha 90 dias de proteção contra execuções de dívida. O timing não é acaso: uma medida cautelar anterior, que suspendia as execuções por 60 dias, vencia justamente na segunda-feira (24).
Veja quem são os credores
O grosso da dívida está espalhado pelo mercado internacional:
- Bondholders — investidores que compraram títulos de dívida da empresa no exterior — concentram cerca de 65% do total.
- Bancos estrangeiros carregam a maior parte do restante.
O pedido foi distribuído à 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais da capital paulista, e a companhia também comunicou o movimento ao regulador americano, já que tem títulos negociados nos Estados Unidos.
Repare no que levou a empresa até aqui
A petroquímica vem de anos difíceis: ciclo global desfavorável para o setor, margens apertadas pela concorrência internacional e o passivo bilionário do desastre geológico de Maceió, que segue consumindo caixa.
A recuperação extrajudicial não encerra nenhum desses problemas — mas compra tempo e reorganiza a fila de pagamentos para a empresa seguir operando enquanto o setor não vira.
Importante: a produção e o fornecimento aos clientes não param durante o processo. O pedido trata da dívida financeira, não da operação.
As informações desta matéria foram apuradas até a noite desta terça-feira (25), com base em Brazil Journal, Seu Dinheiro, O Petróleo e nos comunicados oficiais da companhia.
Reestruturar a dívida vai bastar — ou o problema da petroquímica é maior que o balanço?


